Texto: Daniel Paranhos
Aos 28 de junho de 2025 às 19h aconteceu no seleto auditório da Escola de Música Harmonia este singular espetáculo: uma apresentação exclusivamente dedicada a obras para piano a quatro mãos.
Chamamos a atenção para o requinte deste programa, numa comunidade que mal começa a despertar para a música erudita e seu fabuloso universo, mas onde cresce a cada dia o expressivo grupo de apreciadores regulares.
Foi uma noite de grande brilho onde cada intérprete se dedicou a uma obra ou conjunto de obras característico, com sua linguagem e contexto próprios. Assim como foi ocasião do prof. Damián exibir tanto suas habilidades como concertista quanto sua face de professor e parceiro ao lado de cada deles.
Com Bettina Michalak, executou a sonata K 521, uma obra concisa, de um Mozart já maduro, e que exige dos intérpretes maturidade musical para a interpretação e destreza de ambos, uma vez que os papéis de solo e acompanhamento se permutam ao longo de toda a peça.
Gustavo Marçal ficou com a Sonata K.381 (antiga K.123), obra mais precoce do compositor, que exibe um vigor e vitalidade ímpares, e exige dos executantes um trabalho especial de interpretação, dada a sua duração generosa além dos requintes estruturais.
O duo com Adriana Platchek, estabelecido já há alguns anos, neste recital interpretou algumas peças icônicas do gênero, todas do período romântico: três das famosas danças húngaras de Brahms, que fizeram grande sucesso desde sua publicação (com a mais conhecida delas presenteada como bis); precedidas por outras danças, desta vez as eslavas de Antonín Dvorak, tão apreciadas quanto as primeiras