Texto por Daniel Paranhos
“(…) uma sonoridade pastosa, como que (os dedos do pianista) estivessem amassando as teclas e não propriamente percutindo-as.”
Esta citação é de Mauro José Senise, mais especificamente dos textos que
escrevera para o programa “A arte de Guiomar Novaes”, apresentado por Sergio
Viotti, e que foi ao ar pela rádio Cultura FM há algumas décadas atrás.
E foi justamente essa lembrança que me trouxeram os primeiros compassos da
Balada número 2 em si menor de Liszt, pelas mãos deste pianista, que em sua
maturidade, ao celebrar quatro décadas de carreira, escolheu Balneário Camboriú
para tanto.

E abriu a noite com esta Balada, talvez não tão conhecida pelo grande público
quanto as de Chopin, mas que é superlativa em todos os aspectos: lirismo,
grandiosidade e prodígios de desafios técnicos, com sonoridades sutis, em certos
momentos descritivas, outras vezes envolventes, outras dramáticas…

Então seguiu com as quatro Baladas de Chopin, cada uma mais linda que a outra!
Espetáculo todo de cor, com ênfases pessoais, e sempre com um toque delicado
característico seu, mesmo nos trechos mais marcados
Uma noite memorável, tanto pelas emoções que despertou quanto pelo privilégio de sabermos que temos músicos deste calibre.
Não tenho palavras para agradecê-lo, caríssimo Alberto
Daniel Paranhos
Camboriú, 2 de setembro de 2026.









