As Diferenças entre o Violão de 7 Cordas e o Tradicional

Quais as Diferenças entre o Violão de 7 Cordas e o Tradicional? O Violão de 7 cordas visto superficialmente, parece muito com o violão tradicional, porém apenas uma corda a mais, pode fazer toda a diferença! Muitas pessoas ficam em dúvida em relação a isso…

Fique tranquilo, pois iremos esclarecer esse assunto agora, facilitando para você um maior entendimento em relação à essas diferenças do violão de 7 cordas e o tradicional.

As Origens do Violão de 7 Cordas

Antes do surgimento do violão de 7 cordas, a condução rítmica, o contracanto e as funções de harmonização eram divididas igualmente entre os violões de 6 cordas. Sendo assim, antes da popularização do violão de 7 cordas, a linguagem utilizada por todos os violonistas já era desenvolvida através do violão de 6 cordas.

Com o passar dos tempos, a extensão da escala do instrumento acabou sendo ampliada para um recurso da sétima corda, fazendo do violão de sete cordas um instrumento diferenciado dos tradicionais.

Este “detalhe” certamente acabou contribuindo, e muito, para toda a popularização do violão de 7 cordas, fazendo com que cada vez mais jovens violonistas se interessassem por este instrumento.

Porém, vale ressaltar que as maiores figuras da nossa música popular no Violão de 7 cordas, os violonistas Rafael Rabelo e Dino 7 cordas, antes de se transformarem em grandes contrapontistas, sabiam perfeitamente exercer todas as funções do violão tradicional.

O Violão de 7 Cordas NÃO é um “violão normal”, com uma corda a mais!

Quais as Diferenças entre o Violão de 7 Cordas e o Tradicional?

Apenas uma Corda a Mais, mas Muitas Diferenças…

O violão de 7 cordas tradicional é afinado com a 7ª corda em Dó. Isso é uma questão de sonoridade e estilo, mas faz toda a diferença na história da música popular brasileira, pois o Dino 7 cordas – mestre e exemplo para todos que apreciam o instrumento – afinava seu violão assim.

Tem alguns violonistas – geralmente eruditos ou solistas – que optam por usar a 7ª corda afinada em Si, e aí teria uma nota a mais (grave). Mas essa opção é bem pouco usada, e descaracteriza muito a sonoridade do 7 cordas do Samba e Choro, que têm sua história e registro musical com a afinação da 7ª em Dó.

Na verdade, o violão de 7 cordas tem apenas 4 notas musicais a mais que o tradicional. E é justamente na 7ª corda que estão essas 4 notas!…

Veja abaixo essa diferença, representada na Pauta, Tablatura e Cifras. Muito poucos usam a pauta com clave de Fá, para não ter tantas linhas suplementares, mas o violão tradicional tem sua escrita normal na clave de Sol, e essa é a mais usada.

4 notas a mais - O violão de 7 cordas

4 Notas que fazem muita diferença…

A Função do Violão de 7 Cordas na música

O violão de 7 cordas tem várias funções na música, sendo as principais:

Pode ser usado para fazer a “baixaria” ou a linha de baixos das músicas, fazendo os baixos tradicionais ou obrigatórios, muitas vezes definidos pelo compositor. Muitos desses baixos são emblemáticos e reconhecidos logo nas primeiras notas em inúmeras músicas, sambas e choros do nosso cancioneiro popular.

Pode ser usado para fazer a “baixaria” com frases de contraponto à melodia principal. Nessa função, o violonista pode mostrar todo seu talento e criatividade, fazendo e criando – improvisando – verdadeiras “melodias” com os baixos, ao lado da melodia principal

Pode ser usado para fazer acompanhamento “normal” nos solos do bandolim, flauta, cavaquinho ou outro instrumento solista

Pode ser usado como contrabaixo, para dar ou manter o “peso” das notas graves, em função do ritmo ou percussão usados na música

Pode ser usado como instrumento solista, com uma tessitura maior que o violão tradicional, o que permite ao violonista harmonizar e explorar a região grave de forma mais abrangente e plena.

Basicamente essas são as Diferenças entre o Violão de 7 Cordas e o Tradicional

Os Principais Tipos de Baixos usados no 7 Cordas

O violão de 7 cordas, como já citado, tem várias funções na música, e especificamente nas linhas de baixos, tem também muitas variações. As principais são:

Baixo de Preparação ou Obrigação – É aquele que o compositor definiu para sua música, e deve ser tocado sempre da mesma forma. Esse tipo de baixo define (prepara) para onde vai a harmonia do trecho musical. Muitas vezes ele aparece quando há modulações, passagem de um tom maior para menor (ou vice-versa), em trechos onde não há canto, melodia principal, nas introduções e finais da música. Por exemplo, o Choro Odeon, de Ernesto Nazareth.

Baixo obrigatorio - O violão de 7 cordas

Baixo Pedal – É aquele que é mantido fixo, embora a harmonia esteja variando. Funciona, portanto, como um “pedal”, daí seu nome. Por exemplo, a música “Por um beijo” de Anacleto de Medeiros.Baixo pedal - O violão de 7 cordas

Baixo Pedal em “Por um beijo”, de Anacleto de Medeiros.

Baixo de Contraponto – É aquele que tem a função de atuar em conjunto (em contraponto) com a melodia, seja repetindo frases iguais a ela, seja usando notas das escalas dos acordes, seja criando pequenas melodias simultâneas à melodia principal. Por exemplo, a música “Assim mesmo” de Luís. Americano

 

Baixo Invertido – É muito usado no violão de 7 cordas. Todo acorde é formado pela tríade Iº, IIIº e Vº graus, mais as alterações. As inversões ocorrem quando o baixo está no IIIº e Vº graus. Às vezes, até o VIIº e VIº graus funcionam como inversão de baixo no acorde.

Baixo invertido - O violão de 7 cordas

Baixo de Introdução – Como o nome já diz, é usado para iniciar a música. O violão de 7 cordas muitas vezes começa e termina a música num conjunto musical, especialmente se o gênero é samba ou Choro. Por exemplo, o choro “Sofres porque queres” de Pixinguinha e B. Lacerda.

Baixo de introdução - O violão de 7 cordas

Introdução de “Sofres porque queres”, Pixinguinha e B. Lacerda

Baixo de Finalização – Como o nome já diz, é usado para finalizar a música, ou um trecho específico. Os baixos para finalização podem ser ascendentes, descendentes ou mistos, isto é, uma combinação de ambos.

Um fator muito importante a ser levado em consideração para se determinar qual tipo vai ser usado, é o tom da música ou trecho musical. Por exemplo, se o tom for Dó (maior ou menor) não há grande preocupação se o baixo final vai ser ascendente ou descendente, pois a sétima corda do violão é justamente a nota Dó.

Porém, se o mesmo trecho estiver em Si bemol, é necessário tomar cuidado quando o baixo for descendente, pois não há essa nota na sétima corda e o efeito final pode ficar prejudicado. Por exemplo, a música “Minha” do Cartola, na gravação do Zeca pagodinho, Dino e Zé Menezes…

Baixo de finalização - O violão de 7 cordas

Final de “Minha”, do Cartola, na gravação do Zeca pagodinho, Dino e Zé Menezes…

Baixo de Contratempo – É um tipo de baixo que deve ser usado com cuidado, e não por muitos compassos na música, pois pode descaracterizar a condução rítmica. Ele aproveita os tempos fracos do compasso e dá um efeito muito bonito se usado com moderação. Por exemplo, a música “Caminhando” de Nelson Cavaquinho.

Harmonização com o 7 Cordas

O Violão de 7 cordas pode ser usado exclusivamente para harmonizar também. E como sua extensão é maior que a do violão tradicional, muitos acordes “impossíveis” no violão de 6 cordas são facilmente montados no 7 cordas.

Enquanto o violão de 7 cordas tradicional trabalha com fraseados nas notas mais graves – geralmente com o uso da dedeira e/ou cordas de ação –  o violão de 7 cordas harmonizador normalmente usa cordas de nylon.

Assim pode conduzir a harmonia através da progressão dos acordes, utilizando o polegar normal nos baixos, junto com os dedos indicador, médio e anular nas cordas mais agudas, para fazer os arpejos, puxadas e dedilhados. É o que se chama de “levada”.

Conhecer e usar acordes que exploram a 7ª corda do violão é muito importante para o domínio, fluência e perfeita execução do instrumento; além do mais, isso cria sonoridades muito ricas e únicas no violão. São os chamados “acordes violonísticos”.

O uso da dedeira geralmente é para fazer os baixos e ter mais volume e sonoridade perante os outros instrumentos como o cavaquinho, violão 6 cordas, percussão, etc. Para apenas harmonizar com o violão de 7 cordas, o melhor é não usar a dedeira, pois ela pode prejudicar a sonoridade dos acordes em geral, destacando mais os bordões e “camuflar” o restante.

Dedeira 7 cordas

Dedeira de aço para 7 cordas

 Agora você já sabe as principais diferenças entre o violão de 7 cordas e o violão tradicional!

 

Fonte: https://www.violaosambaechoro.com.br/metodo-de-violao-7-cordas-kit-7-cordas/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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