Clavicórdio

Clavicórdio

clavicórdio é um instrumento musical de cordas percutidas, dotado de teclado. Foi usado na Europa desde o final da Idade Média, passando pelo Renascimento, Barroco, até o período Clássico. Historicamente, era utilizado como um instrumento para praticar e como um auxiliar de composição, já que não produzia um som com volume adequado à audição em grandes espaços.

O clavicórdio produz som pela percussão de cordas de bronze ou ferro com pequenas lâminas de metal chamadas tangentes. As vibrações são transmitidas através das pontes até à caixa de som. O nome do instrumento deriva dos termos latinos clavis, ‘chave’, e chorda, ‘corda’ (de um instrumento musical).

História e Uso

O clavicórdio foi inventado no início do século XIV. Em 1504, o poema alemão “Der Minne Regeln” menciona os termos clavicimbalum (um termo usado sobretudo para o cravo) e clavichordium, designando-os como os melhores instrumentos para acompanhar melodias. Uma das primeiras referências ao clavicórdio em Inglaterra acontece no reinado de Henrique VII, pela rainha Isabel de York, numa entrada do seu diário de agosto de 1502:

“The same day, Hugh Denys for money by him delivered to a stranger that gave the queen a payre of clavycordes. In crowns form his reward IIII libres.”

O clavicórdio foi muito popular entre os séculos XVI e XVIII, mas o seu uso floresceu, sobretudo nos países de língua alemã, Escandinávia e a Península Ibérica, no final desse período. Em 1850 tinha caído em desuso. No final da década de 1890, Arnold Dolmetsch reviveu a construção do clavicórdio, e Violet Gordon-Woodhouse, entre outros, ajudou a popularizar o instrumento: foi a primeira pessoa a fazer gravações sonoras tocando clavicórdio, e a primeira a tocar clavicórdio em programas de rádio.Enquanto muitos dos instrumentos construídos antes de 1730 eram pequenos (com quatro oitavas e medindo 1,2 metro de comprimento), esses novos instrumentos chegavam a ter mais de 2 metros e 6 oitavas de extensão. Hoje em dia os clavicórdios são tocados especialmente pelos entusiastas da música do Renascimento, barroca e clássica. Há muitos interessados e são por isso produzidos mundialmente. Existem várias sociedades de clavicordistas, e cerca de 400 gravações com o instrumento foram feitas nos últimos 70 anos. Os expoentes do instrumento incluem Derek Adlam, Christopher Hogwood, Richard Troeger e Miklos Spányi.

Estrutura e Ação

No clavicórdio, as cordas correm transversalmente desde o fim, no lado esquerdo, do carril do pino de engate, até às cavilhas de afinação à direita. Perto do extremo direito elas passam sobre uma ponte de madeira curvada. A ação é simples, com as teclas a funcionarem como alavancas com uma pequena tangente de metal, uma pequena peça de metal semelhante em tamanho e forma à cabeça de uma chave de fendas, no limite oposto. As cordas, que normalmente são de bronze, ou de uma liga de bronze e ferro, estão normalmente organizadas em pares, como num alaúde ou bandolim. Quando a tecla é pressionada, a tangente atinge as cordas acima, fazendo-as soar de forma semelhante à técnica de percussão das cordas da guitarra. Ao contrário da ação de um piano, a tangente não faz ricochete da corda, pelo contrário, ela fica em contacto com a corda enquanto a tecla está pressionada, atuando ao mesmo tempo como o iniciador e o controlador do som. O volume da nota pode ser mudado consoante a suavidade ou dureza do toque, e o tom também pode ser afetado pela variação na força exercida sobre a tangente contra a corda (conhecida como Bebung). Quando a tecla é solta, a tangente perde o contacto com a corda e a vibração desta é silenciada pelas tiras do pano de amortecimento.

A ação do clavicórdio é única entre todos os instrumentos de teclas, já que uma das partes da ação simultaneamente inicia a vibração sonora ao mesmo tempo que define o final da vibração da corda, e por isso o seu tom. Por causa deste contacto íntimo entre a mão do tocador e a produção de som, o clavicórdio já foi referido como o mais íntimo dos instrumentos de cordas. Apesar das suas muitas (e sérias) limitações, incluindo o volume extremamente baixo, o instrumento tem um considerável poder expressivo, já que o tocador consegue controlar o ataque, a duração, o volume, e até criar certos efeitos subtis de alteração de tom e um tipo de vibrato único.

Ouça uma música tocada com o Clavicórdio clicando no link abaixo

youtube.com/clavicordio

Comentários no Facebook